O Standard Chartered, um dos maiores bancos globais, iniciou cobertura do token SKY, do protocolo de finanças descentralizadas (DeFi) Sky, antigo MakerDAO, com uma projeção ousada: o ativo pode valorizar até cinco vezes até o final de 2028, alcançando US$ 0,325. A informação foi divulgada pelo The Block nesta quinta-feira (11).
O banco classificou o Sky como o "banco federal da DeFi", uma metáfora para descrever a importância sistêmica do protocolo dentro do ecossistema descentralizado. O Sky é conhecido por emitir a stablecoin DAI (agora USDS) e por seu mecanismo de governança que permite aos detentores de SKY participar das decisões sobre colateral, taxas e expansão do protocolo.
Por que o Standard Chartered está de olho no Sky?
O relatório do Standard Chartered destaca que o Sky se diferencia por sua capacidade de gerar receita de forma sustentável, com um modelo de negócios que lembra o de um banco central: ele controla a emissão de sua stablecoin, define políticas de juros (taxa de estabilidade) e atua como emprestador de última instância para outros protocolos DeFi. Essa característica, segundo o banco, confere ao token SKY um valor fundamental que vai além da especulação.
Além disso, o Sky passou por uma reestruturação em 2024, quando a MakerDAO se rebatizou e lançou uma nova tokenomics, incluindo a possibilidade de staking do SKY para receber recompensas e participação na governança. O banco acredita que essa mudança pode atrair investidores institucionais em busca de rendimento no setor DeFi.
A projeção de US$ 0,325 até 2028 representa um aumento de cerca de 400% em relação ao preço atual. O token SKY, que chegou a ser negociado a US$ 0,10 em meados de 2025, atualmente ronda a casa dos US$ 0,065, segundo dados de mercado. A volatilidade típica do setor exige cautela, mas o respaldo de um banco tradicional como o Standard Chartered dá novo fôlego à narrativa de adoção institucional da DeFi.
Impacto no mercado e para o investidor brasileiro
Para o público brasileiro, a notícia tem dupla relevância. Primeiro, porque o Brasil é um dos mercados mais ativos em DeFi da América Latina, com volumes crescentes em protocolos como Uniswap, Aave e Curve. O Sky, por sua vez, tem presença indireta no país por meio da stablecoin DAI/USDS, amplamente utilizada para proteger valor da volatilidade do real e para transações internacionais.
Segundo, porque a chancela de um banco global sinaliza que a DeFi está sendo levada a sério por instituições financeiras tradicionais. Isso pode abrir portas para produtos regulados, como fundos de investimento com exposição a tokens DeFi, que já começam a ser discutidos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em maio de 2025, a CVM aprovou o primeiro ETF de criptomoedas com exposição a DeFi, um passo importante para a institucionalização.
No entanto, é preciso ponderar: o mercado de DeFi ainda enfrenta desafios regulatórios, riscos de smart contracts e a concorrência de outras stablecoins, como USDC e USDT. O próprio Sky já sofreu críticas por sua exposição a ativos centralizados e por decisões de governança controversas. A aposta do Standard Chartered é otimista, mas não está imune a esses fatores.
O que esperar daqui para frente
O relatório do Standard Chartered se soma a uma série de análises de bancos tradicionais sobre criptoativos. No início de 2026, o JPMorgan já havia elogiado o setor DeFi, enquanto o Citigroup apontou a tokenização de ativos como a próxima fronteira. Para o SKY, o desafio é provar que seu modelo de "banco descentralizado" é resiliente o suficiente para justificar a valorização projetada.
Investidores brasileiros que consideram exposição a DeFi devem lembrar que se trata de um setor de alto risco, com volatilidade extrema e pouca proteção regulatória. A recomendação geral é diversificar e nunca investir mais do que se está disposto a perder. A projeção do Standard Chartered é um voto de confiança, mas não uma garantia de retorno.
Enquanto isso, a discussão sobre a "utilidade" das criptomoedas continua. Enquanto uma dogecoin figura entre as dez maiores por valor de mercado, protocolos como Sky buscam mostrar que a verdadeira utilidade está na construção de infraestrutura financeira aberta e eficiente. O tempo dirá qual narrativa prevalecerá.