Ethereum fecha primeiro mês positivo desde agosto de 2025, mas recuperação depende de fatores externos
Depois de seis meses consecutivos no vermelho, o Ethereum (ETH) finalmente registrou um desempenho positivo em março de 2025, com alta de 2,93%. O fechamento mensal em verde marcou o primeiro mês positivo desde agosto de 2024, interrompendo uma sequência de quedas que vinha desde setembro de 2024. Os dados, analisados por veículos internacionais como a BeInCrypto, indicam uma ligeira melhora na confiança dos investidores, embora o cenário ainda seja cercado de incertezas.
Apesar da recuperação pontual, especialistas destacam que o mercado de Ethereum segue frágil. A moeda ainda enfrenta pressão em níveis críticos, como a marca dos US$ 2.000, onde a liquidez é baixa e a volatilidade costuma aumentar. Segundo análise publicada pelo BTC-ECHO, grandes investidores estão acumulando ETH nessas faixas, mas a dinâmica geral do mercado permanece fraca. Essa combinação — compra estratégica em zonas baixas e baixa liquidez — pode tanto sinalizar uma recuperação quanto aumentar o risco de novas quedas bruscas.
Lido, líder no staking de Ethereum, enfrenta queda de 23% nos rendimentos em 2025
Paralelamente, o principal protocolo de staking de Ethereum, o Lido, anunciou resultados menos favoráveis para 2025. A plataforma, que domina cerca de 30% do mercado de staking de ETH, registrou receita de US$ 40,5 milhões no ano, uma queda de 23% em relação ao ano anterior. A redução nos rendimentos reflete a compressão dos ganhos no ecossistema Ethereum, que tem sofrido com a queda nas taxas de transação e na demanda por serviços de staking após atualizações recentes da rede.
O Journal du Coin aponta que o Lido está buscando alternativas para se reinventar, como a expansão para outras blockchains e a oferta de produtos financeiros mais atrativos. No entanto, para os cerca de 9 milhões de usuários brasileiros que utilizam plataformas de staking, a notícia serve como um alerta: os retornos do Ethereum podem não ser mais tão atrativos quanto em anos anteriores. Em um cenário de juros globais ainda elevados, a redução nos rendimentos do staking pode desestimular novos investidores a alocarem capital na rede.
O que esperar do Ethereum nos próximos meses?
Para os investidores brasileiros, o momento exige cautela. Embora a alta de março seja um alívio temporário, o mercado de criptomoedas segue sensível a fatores macroeconômicos, como decisões do Federal Reserve (Fed) sobre os juros nos EUA e a regulação de ativos digitais no Brasil. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda não regulamentou oficialmente os ETFs de Ethereum no país, o que limita o acesso institucional ao ativo e pode atrasar uma recuperação mais robusta.
Além disso, a competição com outras blockchains, como Solana e as Layer-2 do Ethereum, segue acirrada. Projetos como o Base e o zkSync estão atraindo desenvolvedores e usuários com custos mais baixos e transações mais rápidas, o que pode reduzir ainda mais a participação do Ethereum no ecossistema DeFi (finanças descentralizadas).
Os analistas ouvidos pela imprensa internacional destacam que, sem um catalisador claro — como uma nova atualização significativa na rede (por exemplo, a implementação plena do Dencun) ou um movimento institucional expressivo —, o ETH pode continuar oscilando em uma faixa lateral nos próximos trimestres. Para quem já possui posições, a recomendação é manter uma estratégia de longo prazo e diversificar os investimentos em criptomoedas e ativos tradicionais.
Oportunidades e riscos para o mercado brasileiro
No Brasil, o Ethereum segue como uma das criptomoedas mais populares, especialmente entre aqueles que buscam expor seus investimentos ao ecossistema de smart contracts e DeFi. Plataformas como a Foxbit, Mercado Bitcoin e Binance registram volume significativo de negociações de ETH, mas a instabilidade recente tem feito muitos investidores migrarem para ativos menos voláteis, como o Bitcoin ou stablecoins.
Por outro lado, a queda nos rendimentos do staking pode abrir espaço para novos produtos no mercado brasileiro. Empresas como a Bitrust e a Hashdex já oferecem fundos de índice (ETFs) com exposição a Ethereum, permitindo que investidores institucionais e pessoas físicas acessem o ativo de forma mais regulamentada. Essas alternativas podem ajudar a atrair novos capitais para o ecossistema, mesmo em um cenário de baixa liquidez.
Por fim, é fundamental que os investidores brasileiros acompanhem de perto não apenas os preços, mas também as métricas on-chain da rede Ethereum, como o Total Value Locked (TVL) nas DeFi e a taxa de utilização dos nós de staking. Indicadores como esses podem dar pistas sobre a saúde real da rede e ajudar na tomada de decisões mais informadas.
Enquanto o Ethereum tenta se reerguer, uma coisa é certa: o mercado de criptomoedas no Brasil e no mundo segue em transformação, com novos players e tecnologias desafiando os antigos gigantes. A capacidade de adaptação será determinante para quem busca não apenas sobreviver, mas prosperar nesse ambiente cada vez mais competitivo.