São Paulo, 25 de junho de 2025 — O Ethereum (ETH) enfrenta um cenário de incerteza após o banco Citigroup reduzir drasticamente suas projeções para o ativo. A instituição financeira internacional cortou sua meta de 12 meses para o Ethereum de US$ 150 mil para apenas US$ 100 mil, enquanto o Bitcoin também teve sua previsão ajustada de US$ 143 mil para US$ 112 mil. A justificativa? O adiamento na aprovação de regulamentações cripto nos Estados Unidos, que tem travado uma possível valorização mais robusta do mercado.

Regulação nos EUA trava potencial do Ethereum, aponta Citi

Segundo o relatório divulgado pelo Citigroup, a demora no avanço de leis cripto no Congresso americano e nas agências reguladoras como a Securities and Exchange Commission (SEC) está impedindo que o mercado de criptomoedas atinja seu full potential. O Ethereum, segunda maior criptomoeda em capitalização de mercado, tem sido especialmente impactado por essa insegurança jurídica, uma vez que a classificação do ativo como security ou commodity ainda não foi definida com clareza.

Em comunicado, analistas do banco destacaram que "a falta de um arcabouço regulatório definitivo nos EUA reduz a confiança de grandes investidores institucionais, que evitam alocar recursos em ativos com status legal indefinido". A notícia chega em um momento em que o Ethereum acumula valorização de cerca de 40% no primeiro semestre de 2025, mas ainda opera abaixo de sua máxima histórica de US$ 4.878, alcançada em novembro de 2024. No último dia 24, o ETH fechou o pregão a US$ 3.210, segundo dados da CoinGecko.

Ethereum pode estar prestes a romper resistência técnica, mas cautela domina mercado

Enquanto o Citigroup adota uma postura mais conservadora, alguns analistas de mercado veem sinais positivos para o Ethereum no curto prazo. O ativo tem demonstrado força em relação a outras criptomoedas, com um aumento de 12% em seu hash rate — métrica que mede a segurança da rede — nos últimos 30 dias. Além disso, o lançamento recente do Ethereum Improvement Proposal (EIP) 4844, que reduz custos de transação na camada de execução, tem sido apontado como um fator de apoio para a adoção institucional.

Em análise técnica, o site alemão BTC-ECHO destacou que o Ethereum está formando um padrão de triangle ascending (triângulo ascendente) no gráfico diário, um movimento que, se confirmado, pode levar o preço a testar os US$ 3.800 em breve. No entanto, o portal alerta que "a falta de volume significativo em operações de compra pode limitar o potencial de alta". Outro ponto de atenção é o índice de medo e ganância do ETH, que segue em território neutro (52), longe da euforia (75+), o que sugere que ainda há espaço para recuperação.

Impacto no mercado brasileiro: investidores aguardam clareza regulatória

O mercado brasileiro de criptomoedas, que já é um dos maiores do mundo em volume de negociações, está atento às movimentações globais. Com a ausência de uma regulamentação específica no Brasil — apesar do projeto de lei sobre ativos digitais estar em tramitação no Congresso — os investidores locais tendem a seguir o sentimento dos grandes players internacionais.

Segundo dados da Receita Federal, o número de pessoas físicas com investimentos em criptomoedas no Brasil cresceu 35% no primeiro trimestre de 2025, chegando a 1,8 milhão de CPFs cadastrados. Desse total, cerca de 28% declararam possuir Ethereum em suas carteiras. "Os brasileiros estão cada vez mais expostos a cripto, mas a falta de regulamentação clara ainda é um fator de risco. Muitos preferem esperar por definições antes de aumentarem suas posições", afirmou Thiago Soares, analista da XP Investimentos.

No entanto, especialistas locais veem oportunidades no atual momento. "O Ethereum tem uma das redes mais robustas do mercado, com adoção crescente em setores como DeFi e NFTs. Se a regulação nos EUA for positiva, o ETH pode ser um dos maiores beneficiados", avaliou Fernando Ulrich, economista e autor de livros sobre criptoativos.

O que esperar para os próximos meses?

A agenda regulatória nos EUA deve ser o principal driver para o Ethereum no segundo semestre. O Financial Innovation and Technology for the 21st Century Act (FIT21), recentemente aprovado na Câmara dos Deputados, é visto como um passo importante, mas ainda precisa ser aprovado no Senado para se tornar lei. Caso o projeto seja sancionado, a classificação do Ethereum como uma commodity (e não um security) poderia destravar investimentos institucionais.

Outro fator a ser observado é o halving do Ethereum, programado para outubro de 2025, que reduzirá pela metade a emissão de novos ETHs. Historicamente, eventos como esse têm impulsionado preços no passado, embora não haja garantias. Analistas da Messari estimam que a redução da inflação do ETH pode levar a um rally de 25% a 40% até o final do ano, caso o cenário macroeconômico permaneça favorável.

Por enquanto, o mercado segue em modo de espera. "Investidores estão divididos entre a expectativa de um catalisador positivo e o medo de que a regulação demore mais do que o esperado", explicou Carolina Costa, sócia da gestora de criptoativos Starta Capital.

Uma coisa é certa: enquanto a incerteza persistir, a volatilidade deve continuar alta. Para quem já possui Ethereum, especialistas recomendam manter a estratégia de longo prazo e evitar alavancagens excessivas. Já para quem busca entrar no mercado, a dica é cautela e diversificação.