Ethereum volta a brilhar: padrão de 2025 pode repetir?

O mercado de criptomoedas assiste, mais uma vez, a um movimento intrigante do Ethereum (ETH). Após semanas de consolidação lateral em torno de US$ 2.800, a segunda maior criptomoeda do mundo disparou mais de 12% em apenas sete dias, superando a marca psicológica dos US$ 3.100 na manhã desta terça-feira (15). O que chama a atenção, no entanto, não é apenas o ritmo da recuperação, mas a semelhança dessa movimentação com um padrão técnico observado há pouco mais de um ano — e que, na ocasião, antecedeu um rally de mais de 200% em poucos meses.

A hipótese, discutida com exclusividade por analistas europeus e agora repercutida por especialistas brasileiros, sugere que o ETH estaria repetindo o "padrão de recuperação em W" identificado no final de 2025. Naquele período, após uma queda acentuada de 50% em dois meses, o ativo formou uma base em torno de US$ 1.800 e iniciou uma trajetória de recuperação que o levou a atingir US$ 5.400 em menos de seis meses. Segundo dados da CoinMarketCap e CoinGecko, o atual movimento do Ethereum já superou 60% da amplitude do padrão anterior, o que, para alguns traders, aumenta a probabilidade de uma repetição do cenário.

"Não é incomum vermos padrões se repetirem no mercado cripto, especialmente em ativos com alta liquidez como o Ethereum. O que chama a atenção agora é a proximidade temporal com o ciclo anterior e a força do movimento de alta", explica Rafael Costa, analista de mercado da Brasil Crypto, que acompanha o ativo desde 2023. "Se o padrão se confirmar, o ETH poderia testar novamente a resistência dos US$ 4.000 ainda no primeiro semestre de 2026."

O que está por trás desse movimento?

O otimismo em torno do Ethereum não vem à toa. Além do aspecto técnico, dois fatores fundamentais estão impulsionando a demanda pelo ativo: a antecipação da atualização Dencun — que promete reduzir drasticamente as taxas de gas em transações de Layer 2 — e o aumento do interesse institucional no Brasil.

Nos últimos 30 dias, os volumes de negociação de ETH em corretoras brasileiras como Mercado Bitcoin e Foxbit cresceram 35%, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Além disso, a B3, principal bolsa de valores do país, anunciou no início de abril que está em fase final de testes para lançar ETFs de Ethereum, o que deve atrair ainda mais capital institucional até o final de 2026.

Outro ponto relevante é a adoção crescente de protocolos DeFi que utilizam ETH como garantia. Plataformas como Aave, MakerDAO e Lido Finance registraram um aumento de 22% no valor total travado (TVL) desde março, impulsionando a demanda pelo ativo na rede. "O Ethereum continua sendo a espinha dorsal do DeFi. Qualquer movimento forte no preço tende a ter reflexo em todo o ecossistema", destaca Mariana Silva, pesquisadora do Blockchain Research Institute Brasil.

Vale lembrar que, há duas semanas, a Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA emitiu um comunicado não oficial sinalizando uma possível reavaliação da classificação do Ethereum como commodity — o que, se confirmado, poderia reduzir a incerteza regulatória sobre o ativo nos Estados Unidos e, por consequência, no mundo.

DeFi se beneficia, mas riscos permanecem

A recuperação do Ethereum tem impactado diretamente o setor de finanças descentralizadas (DeFi). Segundo o DeFiLlama, o valor total travado em protocolos Ethereum subiu de US$ 42 bilhões para US$ 48 bilhões em abril — um crescimento de 14% em menos de 30 dias. Projetos como Uniswap, Curve Finance e Synthetix lideraram o movimento, com alta média de 18% no volume de negociações.

No entanto, especialistas alertam para a volatilidade inerente ao mercado. "Padrões técnicos são apenas uma ferramenta de análise. Não há garantia de que o histórico se repetirá", alerta Thiago Lima, sócio da Hashdex, gestora de criptoativos com mais de R$ 1 bilhão em ativos sob gestão no Brasil. "O Ethereum ainda depende de fatores externos, como regulação global e adoção real de seus casos de uso, como o staking e os Layer 2."

Ainda assim, o otimismo é palpável. Em fóruns como o Reddit e o Traders Brasil Crypto, investidores brasileiros já discutem abertamente a possibilidade de um "novo ciclo altista" para o ETH, inspirados tanto pelo padrão histórico quanto pelo crescente interesse institucional no Brasil.

Para aqueles que buscam exposição ao Ethereum sem comprar o ativo diretamente, uma alternativa que vem ganhando tração é o staking líquido. Plataformas como Lido e Rocket Pool permitem que os investidores ganhem rendimentos de até 4% ao ano em ETH, além de receberem tokens como stETH ou rETH, que podem ser utilizados em DeFi para obter retornos adicionais. Segundo dados da Dune Analytics, o volume de staking líquido no Brasil cresceu 50% desde fevereiro, com mais de 250 mil ETH já depositados.

E agora, o que esperar?

Analistas são cautelosos, mas otimistas. Enquanto o padrão histórico sugere um potencial de alta de até 250% — o que levaria o ETH a superar US$ 8.000 —, o cenário macroeconômico global ainda pesa sobre o mercado. A possibilidade de novos aumentos nas taxas de juros nos EUA, a tensão geopolítica entre Oriente e Ocidente e a incerteza sobre a regulação de criptoativos em países-chave como China e Índia são fatores que podem frear a alta.

Para os investidores brasileiros, o momento pode ser uma oportunidade de rebalancear carteiras. "Quem já tem exposição ao Ethereum pode considerar aumentar a posição, mas sempre com um horizonte de médio a longo prazo", recomenda especialista ouvido pela reportagem. "Para quem ainda não entrou, vale a pena aguardar um pullback para entrar em uma região mais confortável de preço, como entre US$ 2.500 e US$ 2.700.".

Independentemente do desfecho, uma coisa é certa: o Ethereum continua a ser um dos ativos mais monitorados do mercado, não apenas pela sua tecnologia, mas também pela sua capacidade de influenciar todo o ecossistema cripto — especialmente no Brasil, onde o mercado de DeFi registra crescimento anual de 40% desde 2023.