Uma congressista norte-americana está colocando mais dinheiro em Bitcoin, desta vez por meio de um ETF gerenciado pela gigante BlackRock. A deputada republicana Sheri Biggs, representante do estado da Geórgia, anunciou recentemente que adquiriu entre US$ 100 mil e US$ 250 mil de cotas do iShares Bitcoin Trust (IBIT), o ETF de Bitcoin à vista da BlackRock, em maio de 2025.
Segundo informações divulgadas pela Decrypt, Biggs não apenas manteve, mas aumentou sua posição no ETF desde julho de 2024, quando realizou seu primeiro investimento no produto. A decisão reflete uma tendência crescente de políticos e figuras públicas nos Estados Unidos que passaram a enxergar o Bitcoin como um ativo estratégico, mesmo em um cenário de alta regulação e incerteza política.
Bitcoin ganha espaço entre parlamentares dos EUA
A entrada de Biggs no mercado de Bitcoin por meio de um ETF institucional não é um caso isolado. Nos últimos meses, outros legisladores norte-americanos também demonstraram interesse em ativos digitais. Em 2024, o senador do estado de Wyoming, Cynthia Lummis, já havia anunciado a compra de Bitcoin para sua carteira pessoal, além de propor projetos de lei favoráveis à inovação em blockchain.
O movimento de Biggs é especialmente relevante porque ocorre em um momento em que o governo federal dos EUA intensifica a regulação sobre o setor cripto. Em maio de 2025, a Securities and Exchange Commission (SEC) anunciou novas diretrizes para ETFs de Bitcoin, exigindo maior transparência e proteção aos investidores. Ainda assim, a adesão de figuras políticas ao ativo mostra que, apesar das barreiras, o Bitcoin continua atraindo capital qualificado.
O IBIT, lançado em janeiro de 2024, já se tornou um dos ETFs de Bitcoin mais populares nos EUA, com mais de US$ 20 bilhões em ativos sob gestão até maio de 2025, segundo dados da Bloomberg. A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, tem sido uma das principais impulsionadoras da legitimidade do Bitcoin no mercado tradicional.
Impacto no mercado brasileiro: o que podemos aprender?
Para investidores brasileiros, o movimento de Biggs serve como um termômetro do apetite institucional por Bitcoin, mesmo em um ambiente regulatório ainda em construção. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda não aprovou ETFs de Bitcoin à vista, mas já regulamentou fundos que investem indiretamente no ativo, como os ETFs de empresas ligadas à mineração ou tecnologia blockchain.
Segundo dados da Anbima, o volume de fundos de investimento em criptoativos no Brasil cresceu 40% no primeiro trimestre de 2025, atingindo R$ 12 bilhões. Grande parte desse crescimento é impulsionada por fundos multimercado que incluem Bitcoin na carteira, mesmo que de forma indireta. A falta de um ETF à vista, no entanto, mantém muitos investidores buscando alternativas como ETFs internacionais negociados na B3 ou plataformas de exchange.
Outro ponto relevante é a adoção cada vez maior de Bitcoin por empresas. Nos EUA, gigantes como MicroStrategy e Tesla já incluem o ativo em seus balanços. No Brasil, empresas como a Mercado Bitcoin e a Foxbit têm expandido seus serviços para empresas que desejam alocar parte de seu caixa em criptoativos, seguindo um movimento global de diversificação.
Regulação e incertezas: o que vem por aí?
O investimento de Biggs ocorre em um contexto de maior atenção regulatória. Nos EUA, a SEC tem pressionado exchanges e ETFs por mais transparência, enquanto no Brasil, a CVM estuda regras mais rígidas para fundos que investem em criptoativos. No entanto, a entrada de figuras públicas no mercado sinaliza que, mesmo com as incertezas, o Bitcoin segue sendo visto como um ativo de longo prazo.
Para o mercado brasileiro, a lição é clara: a adoção institucional está avançando, mesmo que de forma gradual. Enquanto o Brasil não tem um ETF de Bitcoin à vista, investidores continuam encontrando formas de se expor ao ativo, seja por meio de fundos, empresas ou até mesmo pela compra direta em exchanges regulamentadas.
Além disso, a movimentação de políticos como Biggs reforça a narrativa de que o Bitcoin está se tornando cada vez mais mainstream, atraindo não apenas especuladores, mas também gestores de patrimônio e fundos soberanos. No último relatório da CoinShares, divulgado em abril de 2025, foi apontado que o fluxo de entrada em ETFs de Bitcoin nos EUA superou US$ 15 bilhões no primeiro trimestre, um recorde histórico.
Conclusão: Bitcoin segue atraindo capital qualificado
A decisão da deputada Sheri Biggs de reforçar seu investimento em Bitcoin por meio de um ETF da BlackRock é mais um sinal de que o ativo continua ganhando legitimidade no mercado tradicional. Mesmo com um cenário regulatório ainda em transformação, tanto nos EUA quanto no Brasil, o Bitcoin segue sendo visto como uma reserva de valor e uma alternativa de diversificação para carteiras institucionais.
Para investidores brasileiros, o momento exige atenção redobrada. Enquanto aguardamos a regulamentação de ETFs à vista no Brasil, as opções disponíveis — como fundos, ETFs internacionais e compra direta — continuam oferecendo exposição ao ativo. A tendência, no entanto, é de que a adoção institucional siga crescendo, impulsionando não apenas o preço do Bitcoin, mas também a maturidade do mercado como um todo.
Um ponto que merece destaque é a importância da educação financeira. Com a crescente complexidade do mercado de criptoativos, investidores brasileiros devem buscar informações confiáveis e entender os riscos envolvidos antes de tomar decisões. Plataformas regulamentadas e consultorias especializadas podem ser aliadas nesse processo.
Por fim, a hist��ria de Sheri Biggs é um lembrete de que, mesmo em um ambiente de incertezas, o Bitcoin continua atraindo capital qualificado. Para o mercado brasileiro, isso pode significar tanto uma oportunidade quanto um desafio: a oportunidade de se posicionar cedo em um ativo cada vez mais relevante, e o desafio de navegar em um cenário regulatório ainda em construção.