Expansão do uso de criptomoedas no turismo asiático ganha novo impulso
A Coreia do Sul está se consolidando como um dos mercados mais dinâmicos para adoção de pagamentos com criptomoedas no varejo, especialmente entre turistas internacionais. Uma recente parceria entre a Crypto.com, a KOSCOM (Korea Securities Depository) e operadoras de turismo locais permite que visitantes estrangeiros paguem em criptomoedas em estabelecimentos comerciais sul-coreanos. A iniciativa, anunciada pela Cointelegraph, marca um avanço significativo na integração de ativos digitais no cotidiano do país, que já é conhecido por sua alta adoção tecnológica e regulação favorável ao setor cripto.
Segundo comunicado oficial, a solução utiliza a infraestrutura da KOSCOM, uma das principais empresas de processamento de pagamentos e custódia do país, para viabilizar transações em tempo real. Os turistas poderão converter suas criptomoedas — como Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) — diretamente em won sul-coreano (KRW) no momento da compra, sem a necessidade de conversão prévia em moeda fiduciária. A integração também contempla cartões pré-pagos em cripto, emitidos pela Crypto.com, que já são aceitos em milhares de estabelecimentos na Coreia do Sul.
Para especialistas, essa parceria é um reflexo da crescente demanda por soluções de pagamento cripto sem fronteiras. "A Coreia do Sul é um mercado estratégico para a adoção de criptomoedas no varejo, especialmente com o aumento do turismo pós-pandemia", afirmou um analista do setor ouvido pela reportagem. A iniciativa também alinha a Coreia do Sul às políticas de outros países asiáticos, como Japão e Tailândia, que já permitem pagamentos em cripto em estabelecimentos comerciais.
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Como a parceria funciona na prática
A implementação da solução envolve três etapas principais: a conversão de criptomoedas em KRW, o processamento do pagamento pela KOSCOM e a liquidação em tempo real para o estabelecimento comercial. Os turistas podem utilizar a carteira da Crypto.com ou cartões pré-pagos em cripto para efetuar as compras. Segundo a empresa, mais de 10 mil estabelecimentos na Coreia do Sul já aceitam pagamentos via Crypto.com, incluindo redes de restaurantes, lojas de varejo e serviços de transporte.
Um exemplo prático é o uso do Crypto.com Visa Card, que permite aos usuários gastar em criptomoedas em qualquer estabelecimento que aceite cartões Visa. Na Coreia do Sul, o cartão já é aceito em redes como Lotteria, CU (conveniência) e até mesmo em algumas estações de metrô. "A integração com a KOSCOM facilita a conversão instantânea, eliminando barreiras para o uso de cripto no dia a dia", explicou um porta-voz da Crypto.com.
Além disso, a parceria inclui um programa de recompensas em cripto para turistas, que oferece cashback em ETH ou CRO (token nativo da Crypto.com) ao realizar pagamentos em estabelecimentos parceiros. Segundo dados da empresa, mais de 500 mil usuários da Crypto.com já utilizam o cartão no país, e a expectativa é de que esse número cresça com a nova integração.
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Impacto no mercado e adoção de cripto na Ásia
A iniciativa da Crypto.com e KOSCOM chega em um momento de forte expansão do mercado cripto na Ásia, região que já responde por mais de 40% do volume global de transações em ativos digitais, segundo a Chainalysis. A Coreia do Sul, em particular, tem se destacado pela regulação clara e pela adoção massiva de soluções blockchain, como os STO (Security Token Offerings) e os NFTs em eventos culturais.
Dados da Korea Financial Intelligence Unit (FIU) mostram que o volume de transações em criptomoedas no país cresceu 35% em 2023, atingindo US$ 1,2 trilhão. Além disso, o governo sul-coreano anunciou recentemente um plano piloto para um won digital (CBDC), que deve entrar em operação até 2025. "A parceria com a Crypto.com é um passo importante para a institucionalização do uso de cripto no varejo", afirmou um executivo do setor, que preferiu não ser identificado.
Para o Brasil, onde a adoção de criptomoedas ainda enfrenta desafios regulatórios, a experiência sul-coreana oferece lições valiosas. "A Coreia do Sul conseguiu equilibrar inovação e regulação, criando um ambiente seguro para empresas e consumidores", destacou um analista brasileiro. Aqui no país, o marco regulatório das criptomoedas (Lei 14.478/2022) ainda não definiu regras claras para pagamentos em varejo, mas iniciativas como a do Banco Central com o PIX internacional mostram que o tema está em discussão.
O que esperar para o futuro
Com a popularidade crescente do turismo na Coreia do Sul — que registrou 20 milhões de visitantes estrangeiros em 2023 — a adoção de pagamentos em cripto deve acelerar. A Crypto.com já anunciou planos para expandir a parceria para outros países asiáticos, incluindo Japão e Singapura, onde a regulação é igualmente favorável.
Analistas do setor destacam que a integração entre criptomoedas e pagamentos cotidianos é um marco para a Web3, pois aproxima os ativos digitais do uso massivo. "A barreira entre o mundo cripto e o tradicional está cada vez menor", afirmou um especialista. Para os investidores, isso pode significar uma maior liquidez e adoção global de criptomoedas, o que tende a reduzir a volatilidade e aumentar a confiança no setor.
No entanto, especialistas alertam para a necessidade de cuidados com a segurança e a regulação. "A Coreia do Sul tem um ambiente regulatório robusto, mas em outros países, a falta de clareza pode ser um obstáculo", afirmou um analista da Messari — empresa que recentemente passou por uma reestruturação interna, conforme noticiado pela ForkLog. A substituição do CEO e demissões na equipe da Messari refletem os desafios de um mercado ainda em amadurecimento, mesmo em mercados avançados como o sul-coreano.
Conclusão: Um passo rumo à massificação das criptomoedas
A parceria entre Crypto.com, KOSCOM e operadoras de turismo na Coreia do Sul representa mais um marco na jornada das criptomoedas rumo à adoção global. Ao facilitar o uso de ativos digitais no cotidiano — especialmente para turistas — o projeto não apenas impulsiona a economia local, mas também demonstra que a integração entre cripto e varejo é viável e escalável.
Para o Brasil, onde o setor cripto ainda busca um modelo regulatório mais definido, a experiência sul-coreana serve como referência. Enquanto aqui discutimos a implementação do PIX internacional e a regulação de exchanges, países asiáticos já mostram como é possível integrar criptomoedas ao sistema financeiro tradicional de forma segura e eficiente.
À medida que soluções como essa se multiplicam, a pergunta não é mais se as criptomoedas serão adotadas em massa, mas quando. E, ao que tudo indica, o futuro chegou mais rápido do que muitos imaginavam.