Otimismo moderado: CEO da Ripio projeta ciclo de baixa mais curto para o Bitcoin
O mercado de criptomoedas vive um momento de incerteza com a volatilidade do Bitcoin, que recentemente oscilou próximo aos US$ 60 mil. Nesse cenário, a visão de Sebastián Serrano, CEO da Ripio – uma das maiores corretoras de ativos digitais da América Latina –, ganha destaque. Em entrevista ao Cointelegraph, ele afirmou que, apesar das dificuldades atuais, o Bitcoin deve enfrentar um 'inverno curto', com uma recuperação mais rápida do que em ciclos anteriores, como os de 2018 e 2022.
Segundo Serrano, o mercado em 2026 será 'menos eufórico' em comparação com os últimos anos de alta especulativa. A previsão é de que a adoção institucional e o uso real das criptomoedas ganhem mais relevância, reduzindo a dependência de movimentos de preço baseados em euforia ou medo. 'O ciclo atual tende a ser mais curto, com menos picos de alta e quedas abruptas', explicou o executivo, que acompanha de perto as tendências globais do setor.
Cenário macroeconômico e o impacto no Bitcoin
O otimismo moderado de Serrano contrasta com o cenário econômico global, que ainda apresenta desafios. Na Espanha, por exemplo, o BBVA Research manteve sua previsão de crescimento para 2026 em 2,4%, mas alertou para o impacto do aumento nos preços dos combustíveis na inflação. Embora a Espanha não seja o principal player no mercado de criptomoedas, o país é referência na adoção de inovações financeiras na Europa, o que influencia o sentimento global.
No Brasil, o contexto não é diferente. A alta nos preços de commodities, como o petróleo, afeta diretamente a inflação e o poder de compra dos brasileiros. Nesse ambiente, o Bitcoin muitas vezes é visto como uma reserva de valor alternativa, especialmente em países com instabilidade monetária. 'Em economias emergentes, como a brasileira, a adoção de criptomoedas pode acelerar como uma forma de proteção contra a desvalorização da moeda local', comenta Serrano.
Dados recentes mostram que a América Latina tem aumentado seu comércio com países da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) e o Sul da Ásia em 82% entre 2019 e 2024, impulsionado pela demanda por minerais críticos e reconfiguração das cadeias globais de suprimento. Essa integração econômica pode facilitar a adoção de tecnologias como o Bitcoin, que não dependem de intermediários tradicionais, como bancos.
O que esperar do Bitcoin nos próximos meses?
Para os investidores brasileiros e latino-americanos, as declarações de Serrano oferecem um alento. A previsão de um ciclo de baixa mais curto sugere que o Bitcoin poderia se recuperar mais rapidamente em 2026, mas com menos volatilidade extrema. Isso poderia atrair mais investidores institucionais e reguladores, que buscam ativos mais estáveis e com fundamentos claros.
No entanto, especialistas alertam que o mercado de criptomoedas ainda é altamente sensível a fatores externos, como regulamentações governamentais e crises geopolíticas. 'O Bitcoin não está imune a choques externos, mas sua adoção crescente como classe de ativo pode torná-lo menos suscetível a movimentos bruscos em um futuro próximo', avalia um analista do setor, que preferiu não ser identificado.
Outro ponto relevante é a atenção crescente às stablecoins e tokens atrelados a ativos reais, que oferecem maior previsibilidade em momentos de incerteza. Segundo dados da Ripio, o volume de negociação de stablecoins no Brasil cresceu mais de 40% nos últimos 12 meses, refletindo a busca por alternativas mais seguras.
Perspectivas para 2026: Menos especulação, mais uso real
O CEO da Ripio reforça que o mercado de criptomoedas está amadurecendo. 'A era do 'tudo sobe' ficou para trás. Agora, o foco está em casos de uso reais, como remessas internacionais, pagamentos digitais e acesso a serviços financeiros para populações não bancarizadas', afirma. No Brasil, onde cerca de 30 milhões de pessoas ainda não têm acesso a contas bancárias, o Bitcoin e outras criptomoedas podem desempenhar um papel crucial na inclusão financeira.
Empresas como a Ripio têm investido em educação financeira e soluções para facilitar a entrada de novos usuários no mercado. 'O desafio agora é fazer com que as pessoas entendam que o Bitcoin não é apenas um ativo especulativo, mas uma tecnologia com potencial transformador', destaca Serrano.
Com a aproximação de 2026, o setor deve continuar evoluindo, com regulamentações mais claras e maior participação de instituições tradicionais. Para os entusiastas e investidores brasileiros, o momento pode ser uma oportunidade para diversificar seus portfólios com ativos digitais, sempre com cautela e análise de risco.
Conclusão: Um futuro mais estável, mas ainda desafiador
Embora as previsões sejam otimistas, o mercado de criptomoedas segue imprevisível. A recuperação moderada do Bitcoin, conforme projetada por Sebastián Serrano, depende de vários fatores, incluindo a estabilidade econômica global e a adoção regulatória. No entanto, o amadurecimento do setor e o aumento do uso real das criptomoedas são sinais positivos para os próximos anos.
Para os brasileiros, o cenário é promissor, especialmente em um país onde a inovação financeira é cada vez mais necessária. Enquanto o Bitcoin e outras criptomoedas não substituirão as moedas tradicionais, elas podem complementar o sistema financeiro, oferecendo alternativas para quem busca mais liberdade e segurança em suas transações.
À medida que 2026 se aproxima, será fundamental acompanhar não apenas os preços, mas também as inovações tecnológicas e as mudanças regulatórias que moldarão o futuro das finanças digitais no Brasil e no mundo.