O ano de 2025 tem sido marcado por um crescimento alarmante nas fraudes envolvendo criptomoedas, conforme revelado pelo Relatório Anual de Crimes na Internet do FBI. Segundo o documento, os prejuízos globais superaram a marca de US$ 11,4 bilhões, com os idosos norte-americanos sendo os principais alvos, responsáveis por quase 40% das perdas. No Brasil, onde o mercado de criptoativos já movimenta bilhões de reais anualmente, especialistas alertam que o cenário pode ser ainda mais crítico, dada a crescente adoção de ativos digitais pela população.
FBI reforça alerta: fraudes com criptomoedas batem recorde em 2025
Os dados do FBI, divulgados recentemente, mostram que as perdas com golpes envolvendo criptomoedas bateram recorde em 2025, com um aumento de mais de 30% em relação ao ano anterior. Os principais métodos utilizados pelos criminosos incluem falsas oportunidades de investimento, phishing em plataformas de trading e fraudes em caixas eletrônicos de cripto (crypto ATMs). No Brasil, a Receita Federal já havia registrado um aumento de 280% nas denúncias de golpes com criptomoedas entre 2022 e 2024, o que reforça a necessidade de medidas mais rigorosas.
Segundo o FBI, as vítimas com mais de 60 anos foram as mais afetadas, representando 39% do total de prejuízos. No entanto, o relatório destaca que a faixa etária de 20 a 40 anos também tem sido alvo frequente, especialmente em esquemas que prometem altos retornos com investimentos em Bitcoin e outras criptomoedas. A entidade recomenda que os usuários verifiquem sempre a procedência das plataformas e evitem compartilhar dados pessoais ou senhas.
Coreia do Sul adota monitoramento em tempo real para conter fraudes
Enquanto o Brasil ainda busca soluções para combater os golpes com criptomoedas, a Coreia do Sul anunciou recentemente uma medida inovadora para aumentar a segurança no mercado. O país ordenou que as exchanges de criptomoedas verifiquem os saldos dos clientes a cada cinco minutos, como forma de prevenir fraudes e garantir transparência nas transações. A decisão foi tomada após uma inspeção revelar que muitas exchanges possuíam sistemas lentos de reconciliação de saldos e falhas nos mecanismos de suspensão de operações suspeitas.
A nova regra exige que as exchanges implementem sistemas de monitoramento em tempo real, capazes de detectar movimentações suspeitas e interromper transações suspeitas imediatamente. Além disso, a Coreia do Sul também intensificou a cooperação com autoridades internacionais para rastrear redes de fraudes, como a Operação Atlântico, iniciativa liderada por agências de segurança de vários países para desmantelar quadrilhas que atuam com phishing e aprovação de transações fraudulentas.
A Operação Atlântico, por exemplo, já resultou na prisão de mais de 200 pessoas em diferentes países, incluindo o Brasil, onde a Polícia Federal tem atuado em conjunto com agências estrangeiras para combater esquemas que envolvem criptomoedas. Segundo especialistas, a cooperação internacional é fundamental para reduzir a impunidade nesse tipo de crime.
Brasil pode adotar medidas semelhantes?
No Brasil, a regulação de criptomoedas ainda está em fase de discussão, com projetos de lei como o PL 4.401/2021 buscando estabelecer regras mais claras para o setor. No entanto, a falta de fiscalização efetiva tem deixado o mercado vulnerável a golpes. Segundo dados da Associação Brasileira de Criptomoedas e Blockchain (ABCB), mais de R$ 2,5 bilhões foram perdidos em fraudes envolvendo criptoativos entre 2022 e 2024.
Para o advogado e especialista em direito digital, Rafael Padilha, a adoção de um sistema semelhante ao da Coreia do Sul poderia ser uma solução eficaz para o Brasil. "As exchanges brasileiras já são obrigadas a reportar operações suspeitas, mas muitas ainda não possuem sistemas adequados para monitoramento em tempo real. A implementação de tecnologias de inteligência artificial para detectar movimentações suspeitas poderia reduzir significativamente os casos de fraude", afirmou Padilha.
Outra medida que poderia ser adotada é o fortalecimento das parcerias entre o governo, as exchanges e as autoridades policiais. Em 2024, a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha que atuava com golpes em criptomoedas, resultando na prisão de 15 pessoas e na recuperação de R$ 12 milhões. No entanto, especialistas afirmam que, sem um sistema de monitoramento eficiente, novos golpes continuarão a surgir.
Impacto no mercado brasileiro de criptomoedas
O aumento das fraudes com criptomoedas tem gerado desconfiança entre os investidores brasileiros, especialmente entre aqueles que estão ingressando no mercado. Segundo a Receita Federal, o número de pessoas físicas declarando ganhos com criptoativos cresceu 45% em 2024, mas a insegurança com os golpes pode frear esse crescimento.
As exchanges brasileiras, como Mercado Bitcoin, Foxbit e BitPreco, já vêm implementando medidas de segurança adicionais, como a obrigatoriedade de autenticação em duas etapas e a verificação de identidade (KYC) mais rigorosa. No entanto, a falta de uma regulação específica ainda deixa brechas para ações criminosas.
Para o analista de mercado Felipe Pereira, a regulação é fundamental para garantir a segurança dos investidores. "Sem regras claras e fiscalização efetiva, o mercado brasileiro de criptomoedas corre o risco de sofrer com a fuga de investidores e a perda de credibilidade. Países como a Coreia do Sul e os Estados Unidos já estão avançando nesse sentido, e o Brasil precisa acompanhar essa tendência", afirmou Pereira.
Conclusão: o caminho para um mercado mais seguro
O relatório do FBI e as medidas adotadas pela Coreia do Sul deixam claro que o combate às fraudes com criptomoedas é um desafio global. No Brasil, a combinação de regulamentação mais rigorosa, adoção de tecnologias de monitoramento em tempo real e maior cooperação internacional pode ser a chave para reduzir os prejuízos causados pelos golpes.
Enquanto isso, os investidores brasileiros devem permanecer atentos, adotando práticas de segurança como a verificação da procedência das plataformas, o uso de carteiras seguras e a não divulgação de dados sensíveis. A conscientização é a melhor ferramenta para evitar cair em armadilhas no mundo das criptomoedas.
Com a crescente adoção de ativos digitais no Brasil, a segurança deve ser uma prioridade não apenas para os reguladores, mas também para os próprios usuários. A lição deixada pelos dados do FBI e pelas ações da Coreia do Sul é clara: a prevenção e a fiscalização são essenciais para um mercado mais transparente e confiável.