Cenário global impulsiona valorização recorde do bitcoin
O preço do bitcoin (BTC) voltou a chamar a atenção do mercado ao superar a marca de US$ 73 mil nesta semana, impulsionado por uma combinação de fatores macroeconômicos e forte demanda por fundos de investimento lastreados na criptomoeda. Segundo dados do mercado, a valorização ocorre mesmo diante de um contexto de alta nos preços da gasolina nos Estados Unidos, que registrou o maior aumento em 60 anos, segundo informações da CoinTribune. Analistas interpretam o movimento como um sinal de que os investidores estão priorizando ativos digitais em meio à incerteza econômica global, especialmente nos EUA.
ETFs de bitcoin registram influxo recorde de US$ 358 milhões em um dia
O destaque do movimento veio dos ETFs de bitcoin à vista, que registraram um influxo recorde de US$ 358,1 milhões em apenas 24 horas, liderado pelo fundo IBIT da BlackRock, o maior gestor de ativos do mundo. Segundo a Bitcoin Magazine, o IBIT atraiu sozinho cerca de 80% do total movimentado, consolidando a confiança de instituições tradicionais no mercado de criptomoedas. Além disso, a Morgan Stanley lançou recentemente o ETF MSBT, que também apresentou forte demanda inicial, indicando que grandes players do mercado financeiro estão diversificando suas carteiras com exposição ao bitcoin por meio de veículos regulados e acessíveis.
Os ETFs de bitcoin à vista passaram a operar nos EUA em janeiro de 2024, após anos de espera por aprovação regulatória. Desde então, os influxos têm sido constantes, mas o volume registrado nesta semana surpreendeu analistas, sugerindo uma mudança estrutural na forma como grandes investidores enxergam o ativo. "O bitcoin está sendo cada vez mais tratado como uma reserva de valor estratégica, especialmente em um cenário de incerteza monetária", afirmou um executivo de uma corretora brasileira que preferiu não se identificar.
Empresas que acumulam bitcoin também ganham atenção de analistas
Outro movimento relevante no mercado é o crescente interesse por empresas que mantêm bitcoin em seus balanços patrimoniais, conhecidas como "bitcoin treasuries". A TD Cowen, uma das principais corretoras de investimentos dos EUA, iniciou recentemente a cobertura de três empresas públicas que possuem grandes reservas de BTC, classificando o setor como uma "categoria de equity investível". Segundo a Bitcoin Magazine, a iniciativa reflete a maturação do mercado e a busca por alternativas de exposição ao bitcoin sem a necessidade de possuir o ativo diretamente.
Entre as empresas citadas pela TD Cowen estão a MicroStrategy, que detém mais de 214 mil bitcoins em seu caixa, e a Marathon Digital, uma das maiores mineradoras de bitcoin do mundo. A análise da corretora destaca que, em um ambiente de juros elevados e inflação persistente, os investidores buscam ativos com potencial de valorização superior à média do mercado. "As bitcoin treasuries oferecem uma forma de participar do crescimento do ecossistema sem os riscos operacionais da mineração ou da custódia direta", explicou um relatório da TD Cowen.
Impacto no mercado brasileiro: mais acessibilidade e institucionalização
Para o mercado brasileiro, esses movimentos têm um impacto significativo. O Brasil já é o segundo maior mercado de criptomoedas da América Latina, atrás apenas da Argentina, segundo dados da Chainalysis. A aprovação de ETFs de bitcoin no exterior, como os recentemente lançados nos EUA, pode estimular a criação de produtos semelhantes no Brasil, facilitando o acesso de investidores locais a essa classe de ativos de forma regulada e segura.
"A entrada de grandes gestoras como BlackRock e Morgan Stanley no mercado de bitcoin sinaliza que o ativo está se tornando mainstream. Isso pode atrair mais investidores institucionais brasileiros, que até então tinham receio de entrar no mercado por falta de opções reguladas", afirmou um analista de uma corretora brasileira. Além disso, a valorização do bitcoin em dólar fortalece a moeda local em termos relativos, o que pode atrair mais investidores estrangeiros para o mercado brasileiro, especialmente em um contexto de busca por diversificação em mercados emergentes.
Outro ponto relevante é a valorização do real frente ao dólar nos últimos meses, o que reduz o custo de entrada para brasileiros que desejam investir em bitcoin. Com o preço do BTC em alta, muitos investidores locais estão aproveitando o momento para aumentar suas posições, seja por meio de exchanges reguladas ou plataformas de investimento.
O que esperar para os próximos meses?
Analistas do mercado de criptomoedas estão otimistas com a trajetória do bitcoin para os próximos meses, mas alertam para a volatilidade característica do ativo. A aprovação de novos ETFs, a redução de taxas de juros nos EUA e o halving do bitcoin, previsto para abril de 2024, são fatores que podem influenciar a cotação nos próximos trimestres.
O halving, evento que reduz pela metade a recompensa dada aos mineradores, é historicamente um catalisador de alta para o preço do bitcoin, uma vez que diminui a oferta do ativo no mercado. Além disso, a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) iniciar um ciclo de corte de juros em 2024 pode reduzir o custo de oportunidade de investir em ativos de risco como o bitcoin, que até então competiam com aplicações de renda fixa mais atrativas.
Para o mercado brasileiro, a combinação de um bitcoin mais valorizado, maior acessibilidade por meio de ETFs e um cenário macroeconômico favorável pode impulsionar ainda mais a adoção institucional e retail da criptomoeda nos próximos meses.