Tensão no Estreito de Ormuz derruba Bitcoin em meio a incertezas globais

O mercado de criptomoedas enfrentou mais um dia de volatilidade nesta semana, com o Bitcoin (BTC) caindo abaixo de US$ 71 mil (aproximadamente R$ 400 mil na cotação atual) pela primeira vez desde março de 2024. A queda de 1,4% nas últimas 24 horas reflete não apenas a instabilidade geopolítica no Oriente Médio, mas também o aumento do pessimismo entre investidores globais. Segundo dados da ForkLog, a decisão dos EUA de considerar o bloqueio do Estreito de Ormuz — uma rota crítica para o transporte de petróleo — acendeu alertas sobre um possível conflito regional que poderia impactar a economia global e, consequentemente, o apetite por ativos de risco como o Bitcoin.

No Brasil, onde o volume de negociações de criptomoedas bate recordes mensais, a queda do BTC reacendeu discussões sobre a correlação entre crises geopolíticas e o mercado cripto. "Investidores brasileiros costumam seguir os movimentos do Bitcoin nos EUA, mas o que vemos agora é uma combinação de fatores externos e internos pressionando o mercado", explica Fernando Ulrich, analista de criptoativos da XP Investimentos. Segundo ele, além da tensão internacional, a desconfiança em relação a projetos com falta de transparência também contribui para a aversão ao risco.

Disputa judicial entre WLFI e Justin Sun preocupa investidores brasileiros

Enquanto a geopolítica abala o mercado, uma disputa judicial envolvendo o fundador da Tron (TRX), Justin Sun, e a empresa WLFI ganhou novos contornos. A WLFI acusou Sun de controle indevido de tokens, blacklist de endereços e falta de transparência em operações com ativos digitais. O caso, que agora entrou na esfera judicial, levanta questões sobre governança e segurança em projetos blockchain, especialmente aqueles vinculados a personalidades influentes do setor.

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Para o mercado brasileiro, que já viu casos como o da FTX e da Terra (LUNA) abalarem a confiança no ecossistema, a situação envolvendo Sun é mais um sinal de alerta. "Projetos que não têm uma governança clara ou que são centralizados demais representam riscos para os investidores. No Brasil, onde a regulação ainda está em discussão, esses casos reforçam a necessidade de diligência por parte dos usuários", alerta Caroline Arcari, head de pesquisa da área de criptomoedas da Empiricus Research.

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Dados da CoinTribune indicam que a disputa pode se estender por meses, com potenciais reflexos nos preços do TRX e de outros ativos associados à Tron. No Brasil, onde o TRX é uma das criptomoedas mais negociadas em exchanges como a Mercado Bitcoin e a Foxbit, a incerteza jurídica pode levar a uma maior aversão a riscos por parte dos investidores.

Mais de 13,5 milhões de endereços Bitcoin estão no prejuízo, aponta Glassnode

Em meio a esse cenário de incertezas, dados da Glassnode revelaram que, em 13 de abril de 2024, mais de 13,5 milhões de endereços Bitcoin estavam operando no prejuízo. O número representa cerca de 20% de todos os endereços ativos da rede e é um indicador de que muitos investidores compraram Bitcoin em preços superiores aos atuais (US$ 70 mil).

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Para analistas, essa métrica on-chain pode sinalizar uma pressão de venda no curto prazo, à medida que detentores tentam minimizar perdas. "Quando um grande número de endereços está no vermelho, a tendência é que haja mais liquidações, o que pode pressionar ainda mais o preço", explica Thiago Cesar, especialista em análise de blockchain da BlockTrends. No Brasil, onde o Bitcoin é visto como um ativo de reserva de valor por muitos investidores, a notícia reforça a importância de uma estratégia de longo prazo.

A Glassnode também destacou que, historicamente, quando mais de 20% dos endereços estão no prejuízo, o mercado tende a entrar em uma fase de consolidação ou correção. "Não é um sinal de crise iminente, mas é um alerta para que os investidores revisem suas posições e evitem decisões impulsivas", completa Cesar.

Impacto no mercado brasileiro: o que esperar?

Para os investidores brasileiros, o cenário atual é uma mistura de fatores externos e internos que exigem atenção redobrada. A queda do Bitcoin abaixo de R$ 400 mil, aliada à crise geopolítica e às disputas judiciais no ecossistema cripto, pode levar a uma maior volatilidade nos próximos dias. Além disso, a possível entrada do Brasil na lista de países monitorados pelo GAFI (Grupo de Ação Financeira) — que avalia países com falhas no combate à lavagem de dinheiro — pode impor novas exigências às exchanges locais, impactando a liquidez e os custos operacionais.

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Outro ponto de atenção é a reação dos reguladores brasileiros. "O Banco Central e a CVM têm discutido a regulamentação de criptoativos, mas ainda não há um marco legal claro. Enquanto isso, o mercado segue dependente de iniciativas privadas e de boas práticas das exchanges", comenta Rodrigo Zeidan, professor de finanças da FGV e especialista em ativos digitais. Segundo ele, a falta de regulação pode até atrair mais investidores, mas também aumenta os riscos de fraudes e golpes.

Por fim, a queda no número de endereços Bitcoin no lucro pode ser um indicativo de que o mercado está em um momento de ajuste. "Investidores brasileiros precisam entender que a volatilidade é inerente ao mercado cripto. A chave é diversificar e não alocar mais do que pode perder", recomenda Zeidan, reforçando a importância de uma abordagem cautelosa.

Conclusão: um momento de cautela para o mercado cripto no Brasil

O mercado de criptomoedas enfrenta um período de incertezas, com o Bitcoin pressionado por fatores externos — como a crise no Oriente Médio — e internos, como as disputas judiciais e a queda no número de endereços lucrativos. Para os investidores brasileiros, o momento pede cautela e uma análise criteriosa das tendências. Enquanto a regulamentação ainda não é uma realidade, a responsabilidade recai sobre os próprios usuários, que devem buscar exchanges confiáveis, diversificar seus investimentos e evitar decisões baseadas em emoções.

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Segundo especialistas, o cenário atual pode ser uma oportunidade para reavaliar portfólios e identificar projetos com fundamentos sólidos. "Quedas como essa são comuns no mercado cripto e, muitas vezes, abrem janelas para novas oportunidades. O importante é não entrar em pânico e manter o foco no longo prazo", finaliza Ulrich, da XP Investimentos.