O Bitcoin (BTC) voltou a chamar atenção ao romper a barreira dos US$ 76 mil na última terça-feira (11), um movimento que não ocorria desde abril de 2024. A alta repentina, que levou a moeda digital a um patamar próximo ao seu recorde histórico de US$ 73,750 mil em março, acendeu o alerta entre investidores e analistas do mercado de criptomoedas. Segundo dados da Cointelegraph, o movimento foi impulsionado por dois fatores principais: um padrão gráfico otimista no mercado futuro e um aumento da atividade em blockchain, que sinalizam uma possível extensão da alta rumo aos US$ 90 mil.

Padrão gráfico e atividade em blockchain alimentam otimismo

O rompimento do Bitcoin acima de US$ 75 mil é visto por especialistas como um sinal de confirmação de um mercado em alta (bull market). Segundo a Cointelegraph, esse padrão técnico, conhecido como "flap do touro" (bull flag), é frequentemente associado a fortes tendências de alta. "Este movimento indica que a demanda está superando a oferta, um dos pilares para uma alta sustentável", explica o analista Will Clemente, citado pela publicação.

Além disso, a atividade na rede Bitcoin atingiu níveis não vistos desde o último ciclo de alta em 2021. O indicador NVT Ratio (Network Value to Transactions), que relaciona o valor de mercado da moeda com o volume de transações, caiu para níveis baixos, sugerindo que o preço pode estar subvalorizado em relação ao uso real da rede. "Quando o NVT está baixo, é um sinal de que o ativo está pronto para uma correção ou nova alta", complementa Clemente.

Previsões otimistas: de US$ 90 mil a US$ 250 mil?

As projeções para o Bitcoin não param por aí. Enquanto a Cointelegraph aponta para um possível teste nos US$ 90 mil nos próximos meses, o megainvestidor Tim Draper foi ainda mais ambicioso. Em entrevista ao BeInCrypto, Draper afirmou que acredita que a moeda digital poderá atingir US$ 250 mil em até 18 meses. Essa previsão não é nova: em 2018, o bilionário já havia acertado a alta do Bitcoin para US$ 250 mil em 2022/2023, embora sua previsão não tenha se concretizado na época.

Draper também compartilhou detalhes de suas próprias operações com Bitcoin, revelando que perdeu dinheiro com a queda da moeda em 2022, mas saiu vitorioso em uma subasta de ativos apreendidos pelo FBI em 2014. "Comprei Bitcoin por US$ 632 cada em uma dessas subastas, e hoje vejo esse investimento valendo milhões", afirmou. Segundo dados da BeInCrypto, Draper teria recuperado suas perdas com a valorização do ativo ao longo dos anos.

Halving 2028: metade do caminho percorrido

Outro fator que tem chamado atenção no mercado é o andamento do próximo halving do Bitcoin, evento programado para ocorrer em 2028. O halving é um mecanismo de redução pela metade da recompensa dada aos mineradores por validar transações, o que tende a reduzir a oferta de novos Bitcoins no mercado e, historicamente, impulsiona o preço da moeda.

Segundo dados da BeInCrypto, o processo já está 50% completo. Restam cerca de 105 mil blocos a serem minerados antes que a recompensa caia de 3,125 BTC para 1,5625 BTC por bloco. Historicamente, os halvings ocorridos em 2012, 2016 e 2020 foram seguidos por fortes altas no preço do Bitcoin, com a moeda atingindo novos recordes meses ou anos depois. "O halving de 2028 já está em andamento, e isso deve começar a influenciar o mercado nos próximos meses, mesmo que o efeito não seja imediato", analisa o especialista em blockchain Alexandre Vasconcelos.

Impacto no mercado brasileiro

No Brasil, o movimento do Bitcoin tem reflexos diretos em diversos setores. Segundo dados da Receita Federal, o volume de negociação de criptomoedas no país cresceu mais de 300% em 2023, e a tendência é de continuidade em 2024. Plataformas como Mercado Bitcoin e Foxbit registraram recordes de abertura de contas e volume de negociação nos últimos meses, impulsionados pela alta do Bitcoin e pela popularização do ETF de Bitcoin nos Estados Unidos.

O ETF de Bitcoin, aprovado pela SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) em janeiro de 2024, permitiu que investidores institucionais e do varejo acessassem o ativo sem a necessidade de deter a moeda diretamente. Segundo a Bloomberg, o ETF já acumula mais de US$ 50 bilhões em ativos sob gestão, o que contribuiu para o aumento da demanda institucional e, consequentemente, para a alta do preço.

"No Brasil, a combinação da alta do Bitcoin com a entrada de novos investidores tem criado um ambiente favorável para o mercado cripto. Além disso, a regulamentação mais clara no país, com a Lei 14.478/2022, que trata das criptomoedas como ativos financeiros, trouxe mais segurança jurídica para os investidores", explica Vinícius Donini, head de produtos da Bitso Brasil.

Riscos e incertezas

Apesar do otimismo, especialistas alertam para riscos que podem impactar a trajetória do Bitcoin. A Reserva Federal dos EUA (Fed) mantém a taxa de juros elevada para combater a inflação, o que pode reduzir o apetite por ativos de maior risco, como o Bitcoin. Além disso, eventos geopolíticos, como conflitos internacionais e regulamentações mais rígidas em países-chave, também podem afetar o mercado.

Outro ponto de atenção é a concentração de Bitcoin nas mãos de poucos endereços. Segundo dados da Glassnode, cerca de 2% dos endereços detêm mais de 40% do suprimento total de Bitcoin. Essa concentração pode levar a uma alta volatilidade em momentos de venda massiva.

Conclusão: o que esperar dos próximos meses?

O rompimento do Bitcoin acima de US$ 76 mil e as projeções otimistas de analistas e investidores como Tim Draper indicam que o mercado cripto pode estar entrando em um novo ciclo de alta. Com o halving de 2028 se aproximando e a crescente adoção institucional por meio dos ETFs, as perspectivas para o Bitcoin nos próximos meses são positivas.

No entanto, é fundamental que investidores brasileiros mantenham a cautela. O mercado de criptomoedas é conhecido por sua volatilidade, e eventos inesperados podem alterar rapidamente a trajetória do preço. "Quem decidir entrar agora deve estar preparado para oscilações e, se possível, diversificar seus investimentos", recomenda Donini.

Uma coisa é certa: o Bitcoin segue como o principal termômetro do mercado cripto, e seus movimentos são acompanhados de perto por investidores em todo o mundo. Se as previsões se concretizarem, o Brasil, que já é um dos maiores mercados de criptomoedas da América Latina, pode se beneficiar ainda mais desse crescimento.