Introdução: O recuo técnico que abriu caminho para a alta

O mercado de criptomoedas respirou aliviado na terça-feira (18) quando o Bitcoin (BTC) rompeu a barreira dos US$ 76 mil, impulsionado por um padrão gráfico conhecido como bullish breakout no gráfico diário. Segundo a Cointelegraph, a quebra de resistência sinalizou um movimento de alta que pode levar a moeda digital a US$ 90 mil em breve. O otimismo decorre não apenas do preço, mas também do aumento da atividade on-chain, que indica maior participação de investidores.

Avanço técnico e liquidez: o que está impulsionando o Bitcoin?

Analistas destacam que o Bitcoin vem exibindo comportamento típico de mercado em alta (bull market), com volume de negociações crescente e participação de baleias (grandes detentores) confirmando o movimento. O padrão gráfico formado — semelhante a uma bandeira de alta — sugere uma continuidade da tendência, segundo relatórios técnicos. Além disso, a atividade em cadeia (transações na blockchain) atingiu níveis não vistos desde os picos de 2021, o que reforça a tese de uma nova fase de expansão.

Outro fator relevante é a liquidez institucional. Com a aprovação de novos Exchange-Traded Funds (ETFs) de Bitcoin nos Estados Unidos no início do ano, o influxo de capital tradicional tem sido constante. Segundo dados da CoinShares, os ETFs registraram entradas líquidas de US$ 1,1 bilhão apenas na última semana, impulsionando a demanda por BTC.

Para o Brasil, onde o mercado de criptoativos tem crescido 15% ao ano segundo a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), esses movimentos são observados de perto. O país já é o segundo maior mercado de Bitcoin na América Latina, atrás apenas da Argentina, segundo dados da Chainalysis. A valorização da moeda digital pode atrair ainda mais interessados, tanto para investimento quanto para uso em pagamentos.

Halving de 2028: o relógio da escassez já está na metade

Enquanto o preço do Bitcoin dispara, os preparativos para o próximo halving — evento que reduz pela metade a recompensa dos mineradores — já estão em andamento. Segundo a BeInCrypto, o processo de mineração já cumpriu 50% do caminho: restam cerca de 105 mil blocos até a redução da recompensa de 6,25 BTC para 3,125 BTC, o que deve ocorrer em abril de 2028.

O halving é um mecanismo deflacionário do Bitcoin, projetado para reduzir a emissão de novos BTCs ao longo do tempo, aumentando a escassez — e, teoricamente, o valor da moeda. Historicamente, os ciclos de preço do Bitcoin se correlacionam fortemente com a aproximação desses eventos. O último halving, em maio de 2020, precedeu a alta recorde de US$ 69 mil em novembro de 2021. Desta vez, o mercado já precifica um possível cenário de escassez, com analistas como Tim Draper — milionário e entusiasta de Bitcoin — projetando que a moeda pode atingir US$ 250 mil em 18 meses, conforme noticiado pela BeInCrypto ES.

No Brasil, a discussão sobre o halving ganha relevância não apenas pelo impacto no preço, mas também pela mineração local. O país já responde por cerca de 5% da hashrate global do Bitcoin, segundo a Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index (CBECI), graças à abundância de energia renovável e clima favorável para resfriamento de equipamentos. Com a redução das recompensas, entretanto, a rentabilidade dos mineradores brasileiros pode ser afetada, exigindo maior eficiência operacional.

Impacto no mercado brasileiro: o que esperar?

Para investidores brasileiros, o movimento atual do Bitcoin representa uma oportunidade, mas também um alerta. A valorização acelerada pode atrair novos entrantes, especialmente após o Banco Central do Brasil (BCB) ter criado, em 2022, o Sandbox Regulatório para ativos digitais. Recentemente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também sinalizou maior atenção ao setor, com a publicação de normas para criptoativos como ativos financeiros.

No entanto, o cenário não está isento de riscos. A volatilidade do Bitcoin permanece alta: em 24 horas, a moeda pode variar até 5%, segundo dados da CoinGecko. Além disso, a dependência do mercado externo — especialmente dos Estados Unidos — torna o preço do BTC suscetível a mudanças na política monetária americana. Com a aproximação das eleições presidenciais nos EUA, a incerteza econômica pode gerar flutuações.

Para o varejo brasileiro, a entrada no mercado de Bitcoin ainda é desafiadora devido à carga tributária. A Receita Federal exige a declaração de criptoativos acima de R$ 5 mil, com alíquota de 15% a 22,5% sobre os ganhos de capital. Já para os investidores institucionais, a regulamentação mais clara pode abrir portas para fundos dedicados a cripto.

Conclusão: O Bitcoin em novo ciclo, mas com atenção aos riscos

O Bitcoin não apenas rompeu o patamar dos US$ 76 mil, como também acendeu luzes verdes para uma possível alta até US$ 90 mil, segundo análises técnicas. O otimismo é reforçado pelo aumento da atividade on-chain e pela entrada de capital institucional, mas os desafios — como a regulamentação no Brasil e a volatilidade intrínseca — permanecem.

A meio caminho do halving de 2028, o mercado já precifica a escassez futura, com projeções ousadas como a de Tim Draper. No entanto, é preciso cautela: o Bitcoin já viveu ciclos de alta seguidos de quedas acentuadas, e o contexto macroeconômico global — com juros altos e incertezas geopolíticas — pode atrapalhar a trajetória. Para o investidor brasileiro, a lição é clara: diversificação e educação financeira são essenciais em um mercado tão dinâmico quanto o das criptomoedas.

Uma coisa é certa: o Brasil, como segundo maior mercado de Bitcoin da América Latina, não ficará de fora dessa movimentação. Seja como investimento, meio de pagamento ou até mesmo como reserva de valor em tempos de inflação, o Bitcoin segue no centro das atenções — e das estratégias de muitos brasileiros.