O Bitcoin viveu dias de volatilidade intensa, com o preço recuando para a casa dos US$ 80.000, mas um movimento silencioso nos bastidores de Wall Street chama a atenção: os chamados "ursos" — investidores que apostam na queda — parecem estar recuando. Dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) referentes a 13 de outubro mostram que, embora o número de posições compradas (longs) diretas tenha diminuído, o total de longs brutos aumentou devido ao crescimento de estratégias de spread. Essa dinâmica sugere que os investidores institucionais não estão abandonando o mercado, mas ajustando suas posições com menor convicção direcional e maior uso de derivativos para gerenciar risco.
O que os dados da CFTC revelam
A análise dos relatórios de compromisso de traders (COT) da CFTC indica que os fundos de hedge e outros participantes do mercado futuro estão reduzindo suas apostas contra o Bitcoin. O aumento das "spread legs" — pernas de spread — indica que os traders estão montando posições mais complexas, combinando diferentes vencimentos ou instrumentos, em vez de simplesmente vender a descoberto. Isso pode ser interpretado como uma diminuição da convicção baixista, mas também como uma maior aversão ao risco em um ambiente de incerteza macroeconômica. Para o investidor brasileiro, é importante notar que esse tipo de movimento não se traduz necessariamente em compras à vista (spot), mas sinaliza que o mercado institucional não está tão pessimista quanto o preço sugere.
Bitwise mantém projeção de US$ 100 mil para 2026
Enquanto o mercado à vista sofre, a gestora de ativos digitais Bitwise reafirmou sua expectativa de que o Bitcoin possa alcançar US$ 100.000 até o final de 2026. Em relatório recente, a empresa argumenta que a demanda institucional continua forte, especialmente com a popularização de ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos e a adoção por parte de tesourarias corporativas. A Bitwise reconhece que a inflação persistente e as políticas monetárias restritivas podem atrasar a recuperação, mas mantém uma visão construtiva de longo prazo. A projeção contrasta com a de outros analistas, como os da LO, que estimam um preço entre US$ 85.000 e US$ 90.000 no mesmo período.
Depósitos de 6 a 12 meses despencam nas exchanges
Outro dado que reforça a tese de que o mercado está em transformação vem das exchanges: a proporção de bitcoins com idade entre 6 e 12 meses depositados nessas plataformas caiu de 40,4% para 4,4% em apenas quatro meses, segundo o Journal du Coin. Isso indica que os investidores que adquiriram Bitcoin no início do ano passado e mantiveram as moedas em exchanges estão movendo seus ativos para carteiras de autocustódia ou vendendo. A queda abrupta pode ser um sinal de que os detentores de médio prazo estão realizando lucros ou buscando maior segurança, especialmente após os recentes escândalos de exchange. Para o mercado brasileiro, onde a autocustódia é uma preocupação crescente, esse movimento ressalta a importância de se proteger os ativos fora de corretoras.
Impacto no mercado e perspectivas
A combinação desses fatores pinta um cenário de cautela, mas não de desespero. A redução das posições vendidas em Wall Street sugere que os grandes players não estão apostando em uma queda ainda maior, enquanto a visão otimista da Bitwise oferece um contraponto às narrativas mais pessimistas. No Brasil, o mercado de criptomoedas segue os passos internacionais, com o Bitcoin sendo negociado em reais e sofrendo influência do dólar e da aversão ao risco global. É fundamental que os investidores acompanhem os dados da CFTC e os relatórios de fluxo de exchanges para tomar decisões informadas, sempre lembrando que o mercado de criptoativos é volátil e não há garantias de retorno.
Em resumo, a queda do Bitcoin para US$ 80.000 não significa necessariamente o fim do ciclo de alta. Os movimentos silenciosos dos institucionais e a confiança de gestoras como a Bitwise indicam que o ativo ainda tem fôlego para recuperar patamares mais elevados, desde que as condições macroeconômicas não piorem. Para o investidor brasileiro, a recomendação é manter a disciplina, diversificar e estar atento às fontes oficiais de dados.