O mercado de Bitcoin vive um momento de contrastes. Apesar da queda recente que levou a criptomoeda para a casa dos US$ 80 mil, dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) revelam que os investidores institucionais conhecidos como 'bears' — aqueles que apostam na queda — estão recuando silenciosamente. Ao mesmo tempo, a quantidade de bitcoins com idade entre 6 e 12 meses depositados em exchanges despencou de 40,4% para 4,4% em apenas quatro meses, segundo o Journal du Coin.
Wall Street recua, mas não compra à vista
De acordo com a CryptoSlate, os dados da CFTC referentes a 13 de outubro mostram um aumento nas 'spread legs' (pernas de spread) que elevou as posições compradas brutas, mesmo com a redução de posições compradas diretas. Isso indica que os fundos estão se protegendo por meio de estratégias mais complexas, sem necessariamente realizar compras no mercado à vista. Na prática, os grandes players não estão abandonando o mercado, mas também não estão apostando todas as fichas na alta imediata.
Para o investidor brasileiro, esse movimento sugere que a volatilidade pode continuar, mas sem um colapso iminente. A ausência de compras à vista por parte das baleias indica que elas aguardam sinais mais claros de recuperação antes de aumentar a exposição.
Depósitos em exchanges despencam
Outro dado que chama atenção vem do Journal du Coin: a proporção de bitcoins com 6 a 12 meses de idade mantidos em exchanges caiu de 40,4% para 4,4% entre junho e outubro de 2025. Isso significa que os detentores de médio prazo estão movendo suas moedas para carteiras frias (cold wallets) ou para custódia própria, reduzindo a pressão de venda sobre as exchanges. Historicamente, a saída de moedas das exchanges é interpretada como um sinal de confiança dos investidores, que preferem segurar o ativo em vez de vendê-lo.
No entanto, essa queda abrupta também pode indicar que os investidores estão buscando maior segurança diante da volatilidade recente, especialmente após o Bitcoin se aproximar dos US$ 80 mil. Para o mercado brasileiro, onde as exchanges locais ainda concentram boa parte do volume, a redução dos depósitos pode levar a uma menor liquidez de curto prazo, ampliando os spreads e afetando traders de alta frequência.
Bitwise mantém otimismo para 2026
Em meio a esse cenário misto, a gestora de ativos digitais Bitwise reafirmou sua projeção de que o Bitcoin pode alcançar US$ 100 mil até o final de 2026. Segundo a CoinTribune, a empresa aposta na demanda institucional crescente e na adoção de ETFs como principais catalisadores, mesmo com a inflação persistente nos Estados Unidos. A visão da Bitwise contrasta com a de outros analistas, que trabalham com cenários mais conservadores, entre US$ 85 mil e US$ 90 mil no mesmo período.
Para o público brasileiro, o otimismo da Bitwise serve como um contraponto à narrativa de baixa que dominou as últimas semanas. A gestora, que recentemente lançou produtos focados em criptoativos nos EUA, tem um histórico de previsões ousadas, mas sua análise é baseada em fundamentos como o fluxo de entrada em ETFs e a escassez programada do Bitcoin.
Impacto no mercado
A combinação desses fatores — recuo dos bears institucionais, queda dos depósitos em exchanges e projeções otimistas — cria um ambiente de incerteza, mas com viés ligeiramente positivo para o médio prazo. No Brasil, investidores devem ficar atentos à liquidez das exchanges locais e ao comportamento do dólar, que influencia diretamente o preço do Bitcoin em reais. Além disso, a redução de moedas em exchanges pode ser um sinal de que os holders estão confiantes, mas também pode aumentar a volatilidade em caso de movimentos bruscos.
É importante ressaltar que nenhuma dessas informações constitui recomendação de investimento. O mercado de criptomoedas é altamente volátil e exige cautela.
Conclusão
Enquanto Wall Street ajusta suas posições sem pressa, os detentores de Bitcoin mostram preferência por manter suas moedas fora das exchanges, e a Bitwise segue apostando em uma recuperação robusta até 2026. Para o investidor brasileiro, o momento é de acompanhar os dados da CFTC e os fluxos de ETF, que podem indicar a direção do mercado nos próximos meses.